UMA ELEIÇÃO COMO NENHUMA OUTRA

27-09-2016

por Fernanda Galvão

Atualidades

Eu sou do tempo em que a campanha durava três meses. Sou do tempo em que os candidatos distribuíam camisetas, cestas básicas, dentaduras. Sou do tempo em que a criatividade para escolher o melhor brinde movimentava a campanha eleitoral e sempre ajudava a dar mais notícia (em 2002, a disputa de governador no Rio trouxe a briga das bonecas de duas candidatas... e elas eram tão fofas!). Enfim, já vi muita coisa diferente durante campanhas eleitorais. E confesso que, em 39 anos de vida e mais de 20 acompanhando a política do Rio e a do País, nunca vi uma eleição como esta, de 2016. 



Primeiro, porque temos um processo eleitoral no qual a eleição não é o principal foco das editorias de Política do País. Tivemos um impeachment presidencial no meio da campanha, gente! E mesmo após o afastamento definitivo da presidente Dilma Rousseff, o noticiário político principal continua não sendo a campanha para prefeito - o papel de vedete ainda é da Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, do Ministério Público e do Judiciário federal em Curitiba.


Também tivemos um megaevento esportivo, que, ao menos para o Rio de Janeiro, fez com que as pessoas só tivessem alguma consciência do que estava acontecendo já quase no mês de setembro. Nos outros estados, apesar de os Jogos Olímpicos não serem tão presentes, eles também tiveram sua parcela no desvio das atenções. E tudo isso em um ano que deveria ser chave, por ser o primeiro após as mudanças causadas pela Lei 13.165/15. A lei não só determinou o fim das doações de campanha por pessoas jurídicas, mas também diminuiu o tempo de campanha (de 90 para 45 dias); mudou as regras para a propaganda, limitando o apelo visual da disputa nas ruas e determinou um teto para os gastos dos candidatos.


A lei também criou uma barreira para os partidos que até conseguem atingir o coeficiente eleitoral, mas cujos votos são pulverizados - agora, o candidato precisa ter 10% da quantidade do coeficiente eleitoral, em votos, para ser eleito. Isso significa dizer que votar na legenda não é mais um negócio tão positivo, se formos pensar em termos de representatividade.


Domingo está aí, e nesta data vamos escolher 5.568 prefeitos e 57.958 vereadores. A nova legislação trouxe mudanças, mas no final das contas nossa missão continua a mesma: ter a consciência de que nosso papel, neste momento, é fundamental. Câmaras de Vereadores e Prefeituras são os entes públicos mais próximos da população, e têm funções bem definidas, de fiscalização, legislação e gestão. Precisamos escolher nossos candidatos pensando na coletividade, e não nos nossos interesses individuais. Pensar em políticas públicas de qualidade, inclusivas, que permitam a inovação e o aquecimento da economia. Enfim, nosso trabalho é de suma importância. Que possamos seguir para as urnas com a mente esclarecida sobre nosso papel na construção do País. Boa sorte a todos!

Fernanda Galvão

Jornalista com especialização em Gestão Pública, escreve sobre política nacional e regional e políticas públicas.