MISSÃO: FISCALIZAR

23-11-2016

por Fernanda Galvão

Atualidades

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, 41,2% do eleitorado optou por não escolher seus representantes. Por isso, agora mais do que nunca é hora de fiscalizar.



Com as eleições de segundo turno no final de outubro, passamos para uma nova etapa na nossa relação com os administradores municipais. A partir de janeiro, todos os municípios contarão com novos prefeitos e vereadores. Mas espere aí, novos? Certamente muitos se reelegeram, principalmente no Legislativo. Podem ser considerados novos?


Sim, podem, porque um mandato nunca é igual ao anterior. E para os prefeitos, ainda existe uma questão delicada: a chamada “maldição do segundo mandato”. Um fenômeno recorrente, onde os administradores, que foram tão bem a ponto de garantir sua reeleição, acabam seu segundo mandato mal avaliado por seus eleitores - muitos sequer conseguem eleger seus sucessores.


Nossa relação com os gestores públicos passa a ser, agora, a da fiscalização. Como deve ser desde o primeiro dia do mandato, até seu último dia. Acompanhar a execução orçamentária, a criação e a condução das políticas públicas, as sessões de votação nas Câmaras Municipais é papel do cidadão, que a cada dia que passa conta com mais ferramentas que os auxiliam neste caminho.



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Digo em meus treinamentos de Marketing Político que “quem não é visto, não é lembrado”. E esta máxima é fundamental para o universo da política, pois o prefeito, vereador, deputado, governador etc que não divulga seus feitos durante todo o seu mandato acaba precisando correr atrás do prejuízo durante o período eleitoral - mais curto após a minirreforma. Mas o cidadão consciente não deve esperar que eles divulguem (até porque ninguém divulga malfeitos, certo?). De maneira geral, as Casas legislativas costumam divulgar suas pautas de discussão, o que facilita em muito o acompanhamento do trabalho dos vereadores - o que é fundamental, pois o Legislativo é fiscal do Executivo. 


Passamos uma eleição marcada pela descrença na classe política. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, 41,2% do eleitorado se absteve de optar entre os candidatos apresentados (a soma de votos nulos, brancos e ausências). É alarmante pensar que quase a metade de todos os eleitores do país optou por não escolher seus representantes. Porém, mais do que um alerta para os governantes, este deve ser um sinal para que os eleitores, como um todo, passem a ser fiscais presentes e atuantes dos detentores de cargos eletivos. Daqui a menos de dois anos teremos novas eleições, desta vez para cargos de âmbito nacional e estadual. Que tal começar a fiscalizar desde já? 

Fernanda Galvão

Jornalista com especialização em Gestão Pública, escreve sobre política nacional e regional e políticas públicas.